sábado, 25 de abril de 2009

festa,

o cheiro de tabaco espalhado por toda área da sala, os braços esticados no solo, as pernas contorcidas em um formato cômico - umas sobre as outras - as garrafas vazias, o sol das 11 da manhã vazando pela persiana, os copos meio cheios ou meio nada. os corpos adormeciam ao som do trânsito visceral que já se anunciava no lado de fora.

esquivou-se dos membros, pulou de um lado pro outro, a amarelinha orgânica, o medo de machucar qualquer um que ali estivesse e logo desse vida a uma cadeia de renascidos de uma noite de fantasias e sonhos vendidos a preço de banana, banana ouro, meu caro. - que diabos estou fazendo aqui? 

saiu olhando pros lados e na fresta entre portas viu a geladeira aberta, uma mulher com a metade do corpo refrescava-se prostrada com as mãos apoiadas na gaveta de legumes enquanto os joelhos davam o suporte lógico para o corpo permanecer como estava, sólido e rígido.

conspicuamente sem dizer nada alto o suficiente para ser notado, deixou o recinto e pegou o elevador. do "efeito possessão" ninguém escapa.

1 comentários:

Bruno Lagoeiro disse...

Ninguém escapa...