sábado, 20 de outubro de 2007

Fast Food Nation

Fui assistir ao filme "Fast Food Nation" como gosto: sozinho.

Bem, vamos ao que interessa.

O longa é assim: sem personagens principais, muitas conexões, e fundamentos que fazem a gente pensar.

A questão vai desde a travessia de pobres mexicanos para os Estados Unidos, e as más condições de trabalho que eles são submetidos; a defasagem no controle de qualidade dos alimentos de um frigorífico - responsável por abastecer a franquia de Fast Food; até um conflito ideológico de uma caixa, de uma das lojas da franquia, até o vice-presidente de marketing da mesma.

Quando esses tipos de filme aparecem - como o "Super Size Me" - a primeira coisa que as pessoas pensam é no boicote - ainda mais depois de verem as cenas do gado sendo abatido e a quantidade de sangue exagerada escorrendo pelo ralo com a ajuda de mangueiras de pressão.

O boicote é burrice. Isso é um fato. Primeiramente, porque todas essas ações caóticas nao levam a nada. Elas só servem para chamar atenção - de forma bem descuidada, diga-se de passagem.

Se o mundo parar de comer Mc Donalds, por exemplo, geraria uma onda enorme de desemprego - ou vocês não acham que já não há gente desempregada demais no mundo?

Vamos pensar nessa perspectiva.

O Mc Donalds gera uma enorme quantidade de empregos diretos e indiretos. Diretos com todo o seu pessoal, que vai desde os escritórios - onde são planejadas as mirabolantes estratégia de
marketing - até as pessoas que trabalham nas lojas; e os indiretos, que são os fornecedores - que vendem água, sucos, refrigerante, pão, sorvetes e, óbviamente, a carne. (Imagina quanta gente ia ficar sem décimo terceiro no final do ano caso o mundo resolvesse parar de comer Mc Donald´s, Burger King e congêneres.)

O problema está neste último - o principal apontado pelo filme. Uma das alternativas seria viabilizar melhores condições de trabalho, remunerações e maior rigor no controle de qualidade da carne. Não deixar que restos fecais - que estão dentro dos intestinos das vacas antes do abate - misturem-se com o bolo de massa que será transformado no delicioso "Big One"/Big Mac/ Super King nosso de cada dia.

Como eu digo: É bem mais político do que parece. Porque remunerar melhor, criar melhores condições laborais dá mais trabalho do que deixar como está e vender a carne da maneira deprimente que ela é produzida.

Lucro, amigos neo-liberais.